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21 novembro 2007


Sabes bem que hoje acordei sem ti. E também sabes bem que quando partiste desta vez não me deste um longo e perfumado beijo, daqueles em que a tua língua explora toda a minha boca e o meu ser para que me reconheças de olhos fechados e de vida fechada ao resto do mundo. Sabes bem que entre nós a cumplicidade se está a quebrar a um ritmo alucinante, e, nós deixámos partir todas as laçadas, laços, uniões, juntas, amarras que nos prendiam um ao outro. Não me podes obrigar a amar. Não te posso deter em amores infinitos que não desejas. Mas hoje custei a adormecer, o sono tardou a chegar e a falta que me fizeste foi imensa na cama, mesmo sabendo que não é já hábito tocar-te hoje procurei-te e não estavas lá.


21.11.2007

22 setembro 2007



De quando em vez tomamos consciência da distancia entre nós, embora seja certo que tomamos como certo a presença do outro, na cama, na mesa no sofá, apercebemo-nos que o fim pode estar eminente a qualquer altura, porque caminhamos desde sempre na beira de um precipício. E de quando em vez gritamos um ao outro palavras que nos querem fazer cair de uma vez por todas, pois nenhum de nós suporta esta sensação de precariedade em que vivemos ambos e acabamos por nos arrastar inconsequentemente, como se algum dia não fossemos pagar uma factura elevada também por isto. Apetece-me gritar-te até te rasgar a alma e a vida ao meio. Mas ainda assim não me conseguirias ver toda eu, como sou na realidade.

19.09.2007