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29 setembro 2007


O destino desamarrou-nos e separou-nos quando ainda não era tempo de vertermos lágrimas um pelo outro. As recordações vêm em catadupa e percebo que esta sensibilidade constante que me faz aflorar o choro aos olhos, recebi-a de ti. Foi naquelas noites em que me embalaste sobre as estrelas, dando-me um chão coberto de nuvens e de um céu de noite azulado derramado no branco da lua cheia. Nessas noites partilhadas fizeste-me tua, apenas tua, e agora que o destino nos tirou um ao outro, não sei o que fazer às minhas mãos, à minha boca e nem tão pouco onde pousar o meu corpo sem o aconchego do teu por perto.

26.09.2007

23 setembro 2007


Anda, entra em mim, assim, devagarinho, como se não me quisesses acordar ao entrar na cama, e, toma-me nos teus braços e partilha comigo esta tristeza que carrego, quase todos os dias do resto da minha vida, nos meus olhos, no meu corpo, na minha alma, como se as lágrimas não fossem mais que extensões das minhas pestanas, carrega comigo esta tristeza que não sei de onde me vêm, e assim, contigo – realmente - ao meu lado, talvez, quem saiba ela se dissolva, ela é a minha herança, e sem ti é um peso demasiado difícil de suportar só. Esta tristeza que trago em mim, e que sem ti não me deixa sorrir. Entra em mim e ajuda-me a levá-la para longe de nós.

20.09.2007