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17 setembro 2007



Hoje vou olhar para o horizonte. E vou esperar ainda hoje por ti. Embora saiba que não regressas e que me tenhas dado muito mais do que aquilo que posso saber, e embora saiba que já não devo esperar por ti, ainda assim hoje vou olhar para o longe e vou esperar ver a tua imagem recortada lá ao longe a caminhar em direcção a mim. E vou aguardar regressar ao teu olhar, ao fim dele, e ver-me de novo nos teus olhos e aí sim, sem dúvida reencontrar-me na ponta dos teus dedos, depois no teu corpo e no fim, sempre no fim, logo a seguir à tua boca, na tua alma. Aquela que vejo reflectida nos teus olhos mesmo ali por cima do meu reflexo. Hoje vou esperar por ti e vou olhar o horizonte, sem dúvida, hoje vou fazê-lo porque hoje sei que o tempo faz parte de mim, de nós, como um verbo que não é conjugado - nem - no passado e apenas no presente. Nem sequer no futuro. Talvez hoje eu saiba que não venhas, também, mas, talvez o sonho me traga o teu olhar de novo para me reencontrar.

5.09.2007

27 julho 2007


Vês-me? O que eu vejo e a forma como me sinto são duas coisas totalmente diferentes. É como se alguém, que não sou eu, se me esperneasse na mente e no coração para lutar e ser quem não sou, mas também sou. Que me diz; "sonha!". Procura fundo no teu coração, e luta pelo que és e por quem queres ser, realmente! Mantém-me viva e atenta, quase sempre, e, quando acordada, sempre a sonhar. E faz-me estar alerta. E faz-me estar mais viva. e faz-me ser mais eu. Ou quem já fui. Ou quem ainda sou, mas esqueço muitas vezes. E se eu me esquecer de me encontrar aqui no coração, no meu, naquele lugar que é o estar mais próximo de cada um, e de mim, também, - em especial - o que faço então? Não durmas. Não desistas. Eu sei que estou aqui. Porque ainda te sonho.

30.06.2007

13 junho 2007


Não interessa que as pessoas nos digam que não poderemos ser felizes. Não interessa que as pessoas digam que não temos nada a ver um com o outro. Não interessa que nenhum de nós tenha em comum as palavras que o outro sente. Não interessa que nenhum de nós tenha verdadeira empatia pelo que nos interessa fora de nós. Mas é importante que quando me beijas o meu coração estremece e viaja do sitio dele, ali situado entre ossos, percorrendo-me toda mostrando-me que ainda posso sorrir. E quando me acaricias, fazes-me estremecer, fazes-me sentir a mulher mais desejada, e é ali entre os teus braços que sinto o estremecimento crescer e fazer-me mulher contigo dentro de mim, na boca, no sexo, na língua ou simplesmente nesse teu olhar fantasmagoricamente profundo.

Sabes porque não interessa? Porque quando estamos juntos é sempre tão pouco, que apenas damos lugar ao sonho. E nada tem mais espaço para crescer entre nós. Nem mesmo o abandono a que me votas nos eternos desaparecimentos.

31.05.2007