10 maio 2007



Ouve-me. Ouve-me com atenção. Eu estou sozinha, não tenho ninguém em casa à minha espera, à espera do meu amor de mulher, à espera de que eu acredite noutra pessoa para que ela viva e respire. E por isso mesmo eu tenho de encontrar uma forma de viver sem todo o amor que me consome e me transborda sem dono. Cansei-me de acreditar em ti, sabes? Fizeste de mim uma voz sem palavras, um corpo vazio de homem, que abraça o vazio pois é aí que te reconhece. Já não acredito em ti. Essa é verdade, pelo menos não creio em ti sem dó nem piedade. Porque descobri que não é em ti que me vou encontrar, nos teus braços, no teu coração, no teu corpo. Mas tu não me dás a paz que preciso. E continuas na minha mente a dizer-me que eu não sei apenas o que sinto, e que eu sou feita de ti, mas quando chegas perto de mim não me descubro na tua pele, e, poderia, ainda, fazer um mapa de todos os caminhos que já tracei no teu corpo mas ainda assim não me levariam até mim mesma. Ouve-me. Ouve-me com atenção. Eu estou sozinha. E longe do meu coração, que continua fugido, escondido, dilacerado, magoado, e, claro, sempre sem ti. E tantas vezes também sem mim. Já não acredito em ti. Não me fizeste. Por isso tenho de descobrir o caminho para o meu coração para o consertar. Sem ti. E sem te ouvir.

4.05.2007

2 comentários:

alexandre disse...

Inês Pedrosa,tem um livro lindo que que nos mostra algo de belo e bom...mesmo no sofrimento.
tal como em "fica comigo esta noite"as palavras que aquí leio,são "belas".

algevo disse...

Querido Alexandre,

Amigo do meu amigo, meu amigo é.

Obrigada...é sempre bom ouvir uns elogios ao ego...

:)

I.