24 maio 2007

Saudades de um Anjo desconhecido


Tenho saudades tuas. Estes diálogos silenciosos que mantenho contigo à distancia de um dedo, em sons não audíveis por ninguém mais que não eu mesma, os pensamentos vedados a mim própria, pelo menos a toda a extensão que sou eu. Tenho saudades tuas. Tantas que se me abre o peito e sangro ar, que me sai às bolhas, rarefeitas pela dificuldade em pôr em palavras a falta que me fazes em amor. E não seria tão bom se ambos conseguíssemos ultrapassar a barreira do som e sem mexermos sequer a boca nos disséssemos tudo o que temos entalado, escondido, vedado, enterrado, encaixotado, emalado, fechado num apenas olhar cheio de significados? E sem ressentimentos e esclarecidos seguíssemos em frente sem dúvidas. Tenho saudades, quando cheia da energia que me fazia ser sempre miúda, te dizia em catadupas tudo aquilo que sentia, sem amarguras e sem receios de estilhaçar as tuas asas de anjo invisíveis, já demasiado quebradas para voarmos para longe daqui.

16.05.2007

2 comentários:

alexandre disse...

As saudades são a medida da lembrança...é bom lembrar-mos o positivo,pois enche-nos o coração de alegria e do menos bom,pois faz-nos valorizar ainda mais o que temos.

algevo disse...

Alexandre,

As tuas palavras estão cheias de sabedoria.

Beijo

I.