11 novembro 2006


Li algures; “ Essas raízes não mergulharão noutra terra”.
Não nasci nesta terra.
Nasci noutra, onde o cheiro, a cor e as cores são diferentes.
E eu fico ali parada num meio, sem saber realmente bem onde pertencem as minhas raízes.
Pertenço a uma tribo completamente destribalizada, mas sobrevivente, que não sabe realmente ao que se agarrar, porque tem informações que surgem de ambos os lados.
Da pátria nascente e da pátria adoptiva.
E no meio ando eu, e muitos outros, que nasceram num lado mas viveram toda a vida noutro.
Adoptei costumes e hábitos dum lado mas cresci a ouvir, e logo muito influenciada, por estórias e tradições, bem diferentes daquilo que me rodeia.
Identifico o sitio lá longe onde nasci, mas sei que ele já não é o sitio das lembranças, inventadas, plantadas e recordadas, minhas e tantas outras pessoas.
Tenho direito a um passado, mas não o possuo realmente, porque entre a realidade das vivências e as lembranças que me foram inculcadas fica apenas o direito a ter as minhas raízes onde muito bem quero.
Mas onde as plantar?
Já uma vez disse que não tenho onde plantar as minhas raízes. À força de tanto as mudar.
Será que elas sobrevivem apenas na memória?
Então do que sinto realmente a falta?

26.08.2006

2 comentários:

JS disse...

As nossas raízes são a razão fundamental da nossa existência, Jamais se deverão omitir. Pudemos transformarmo-nos numa "árvore enxartada" que dá frutos diferentes da sua origem porque recebeu um enxerto de outra qualidade, mas, para não perdermos a nossa identidade e conseguirmos encontrar a felicidade e paz interior, é importante que nunca nos esqueçamos daquela raíz que um dia nos deu o ser. Penso que só conseguiremos entender realmente a vida e compreender as nossas alegrias e frustações se conhecermos e preservarmos a causa que produziu o efeito.
Bjs.

algevo disse...

JS
Sem dúvida. Mas nem sempre é fácil conseguir vingar toda a informação, e acima de tudo processá-la, nos dias que correm, e com as exigências que nos são impostas actualmente.

Mas vamos em frente. Com memória de elefante.

Bj

I.