14 novembro 2006


Perdi o rasto à menina dos campos das margaridas amarelas?
Porque me continuo a sentir enclausurada num corpo de adulto, como se me tivesse perdido na idade da perfeita adolescência, e me recusasse a crescer e me mantivesse sempre à altura dos meus filhos?
Crescer é um imperfeito e sofrido acto continuado a que me recuso permanentemente a prestar vassalagem.

Não existe nada melhor quando fico na cama aninhada aos meus principezinhos. Quando me atiro em pleno voo picado sobre a cama da minha Mãe. Quando a abraço e faço cair, estatelada e risonha de risos cheios. Quando transformo a sala e os sofás no melhor palco de guerra e guerrilhas de almofadas. Quando almoço uma lata de leite condensado.

Ainda não consegui perceber os objectivos da idade adulta.

8.11.2006

8 comentários:

AnaP disse...

Olha, também ainda não consegui perceber as grandes vantagens... Talvez seja poder tirar a carta de condução para poder pegar no carro e ir ver outras paisagens. De resto, ser adulto é muito chato! Beijinhos!

algevo disse...

Para mim ser adulto, para além de se poder ser mãe sem o peso de se ser mãe adolescente não teve, nem tem grandes vantagens... tenho 32, quase, quase 33... mas não me sinto com esta idade mesmo. E quase todas as interrogações que tinha na adolescência, mantenho-as, ainda, quase na íntegra.

Quanto à carta de condução, embora na tentativa - vã - de a tirar já quase à 7 anos... continuo a frequentar as aulas de código, com interregnos de anos, porque sei chegar a todo o lado de comboio ou de autocarro ou em qualquer carro conduzido por outras pessoas enquanto eu me delicio apenas a conversar e a olhar a paisagem...

PS - ainda me dá vontade de rir à gargalhada e escondo-a com dificuldade quando me chamam senhora... como se a idade real não correspondesse ao que sou realmente...

Beijos!!

I.

JS disse...

Esta postagem está magnifica! É assim que eu também vejo e sinto a vida. E olhe que sou um pouco mais velha. Nada me dá mais gozo que sorrir, brincar, ser irreverente... e divertir-me como uma criança. Sempre que tenho oportunidade não abdico de o fazer. Só lamento que as responsabilidades da minha vida não me permitam fazê-lo com mais frequência. Ser-se adulto não significa obrigatóriamente abdicar da~nossa essência! é só uma questão de conseguirmos conciliar as coisas. Há espaço para tudo desde que saibamos gerir o tempo.
E mais, já viu que não é tão mau assim: podemos ser crianças divertidas, jovens irreverentes e ainda senhoras responsáveis...
a vida é bonita demais para nos submetermos a privações! Se o que fazemos nos dá prazer temos mais é que continuar... que se danem as "etiquetas..."

algevo disse...

js:

não poderia estar mais de acordo.

Fiz uma promessa a uma fada (à minha fada) à uns anos atrás... e não pretendo quebrá-la.

E embora não acompanhe a idade que consta no meu BI, definitivamente, tenho de ser uma senhora responsável... mas quando me vejo rodeada de outros adultos com a minha idade "verdadeira" pergunto-me se o meu reflexo será o mesmo que o deles???

:)))

I.

AnaP disse...

Algevo, como vivo na província, sem carro não ia a lado nenhum. É mesmo uma necessidade. Na cidade, realmente, com os transportes vai-se para todo o lado. De qualquer modo, de vez em quando também gosto de passar o meu bólinhas para as mãos de alguém de confiança e deliciar-me apenas com a vista. :-) Quando me chamam senhora também fico assim sem saber o que fazer... embora, nalgumas situações, se não me tratarem por senhora, eu refilo! eheheh! Beijinhos!

algevo disse...

anap:
eu não refilo mesmo nunca... porque me acho mesmo uma miúda... o meu filho de 8 anos já me disse que as outras mães não se portam como eu...assim a modos de quem me chama a atenção...mas não faz mal. Sinto-me quase sempre uma miúda, muitas vezes demasiado jovem em quase tudo para a idade que tenho. E não percebo realmente como se passaram já 32 anos (quase quase 33..)não percebo mesmo!
Mas, não sou daquelas inconformadas que fica triste por cada aniversário celebrado, eu pelo contrário, embora não note no meu espirito os anos que contam, adoro que passe mais 365 dias pois aí tenho mais um motivo para me portar terrivelmente mal e fazer as maiores diabruras... porque nesse dia (ainda mais) tudo me é permitido... rsrsrsrsrs!!!

beijos

I.

kika disse...

Querida prima, ainda te lembras de quando tinhamos oito anos???? Xiiii há tanto tempo atrás... Mas a vida continua, e espero que mantenhas sempre essa tua força e alegria! Adoro-vos, saudadinhas, longe, longe, mas quase aí de novo para o Natal e Ano Novo, K;)

algevo disse...

kikinha!!!

Então não me lembro??? Debaixo da mesa com sorriso pepsodent??? Qual das duas conseguia abrir mais a boca num sorriso forçado??? Ou quando íamos ao cinema, e, embora tão distintas fisicamente, por vestirmos vestidos iguais, eu achava que nos iriam confundir com gémeas??? Ai... que saudadinhas...

Também temos todos muitas saudades tuas e do T. e a ver se desta vez nos conseguimos reunir todos... O Natal está quase aí para comermos umas rabanadas...

beijo assim gigante, do meu tamanho, XXXXXXXXXXLLLLLL

:)))) I.