
A porta fechou-se. As paredes ruiram. Pelo chão jazem os pedaços do reboco da nossa linda casa. Findou. Acabou. Terminou. Não sei o que vai ser de mim. São demasiados lutos para fazer ao mesmo tempo. Já não oiço a tua voz quando chamo por ti. Mas não morro. Não te tenho na minha vida. Mas não renasço. Não termino este livro e continuo com ele ao colo, fechado, aguardando um sinal dos deuses, um brilho fugaz no céu, uma movimentação das pedras, uma mensagem das cartas. Este lugar ficará vazio. As emoções não permanecem iguais. Apenas a mágoa. Os silêncios apertam-me a vida. Sabes onde estou, mas não regresses, nem com lágrimas nem com um amor devassado por outros amores. Estarei aqui. Mas já estou de partida. Ainda sem saber que rumo tomar, nem em que direcção voltarei a encontrar a minha estrela polar. Já não sou para ti um pedaço daquilo que já fui. E tu não o és para mim. Mas, neste momento, neste lugar, fico parada, aguardando apenas uma mão invisivel que já não existe na minha vida. Sinto-me devastada. São apenas demasiados lutos para fazer ao mesmo tempo.
18.01.2007