04 outubro 2006


Algumas coisas não se verbalizam. Tu não te podes verbalizar. E eu não te consigo verbalizar, nunca consegui. Não te consigo pôr por palavras. Não te consigo pôr, por mais que tente. São tantas e tão díspares aquelas que te caracterizam. A tua distancia. A tua frieza. A tua magnitude. A tua proximidade. A tua língua quente. O teu olhar frio. O teu olhar, com que me enches, quando me dás um cigarro já aceso, e molhado pela tua boca, para que eu possa sentir, muito melhor, o sabor da tua língua na minha, aquele sabor quente e suave que conheço tão bem. Não te consigo explicar, não te consigo pôr palavras. Não posso. Não poderia nunca descrever-te. E dizer-te que dentro do meu peito tu és a minha vida, o meu coração a bater. E se não tivesses passado como uma estrela cadente na minha vida jamais teria voltado a saber a que sabe a brisa do rio à noite enquanto me seguras nas ancas. Jamais teria reconhecido o som do meu coração a bater quando me abraças na cama. Jamais me terias devolvido o sopro que me enche de sonhos quando sinto a tua respiração na minha nuca e te aconchegas nas noites em que me enches os braços e a cama. Preciso de te verbalizar. Mas não te consigo pôr por palavras. És tanto e tão grande. E tão pouco e tão fugidio. És apenas um sonho. E sonho-te todos os dias. Mas a saudade não me chega já para te ter. Já não me chega para não te verbalizar. E preciso pôr-te por palavras. E tu sabes disso. E por isso não me deixas chegar. E por isso levantas ainda mais o muro que nos separa. Mas ainda assim preciso de te pôr palavras. Qualquer palavra serviria. Desde que te identificasse. Mas nada chega para ti. Tu és tudo. Tu és eu. Porque não me deixas ser tu? Porque não me deixas ficar diluída na tua pele… apenas isso?

08.09.2006

4 comentários:

Anónimo disse...

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apenas a solidão nos faz doer tanto a alma e a vida.

Quem sabe um dia.

iolanda disse...

apenas a solidão faz doer a alma, e o manter o sofrimento vivo, permanente, constante. O não esquecer. Nunca. é assim que se arrasta até ao fim todas as penas que não se devem manter vivas.
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:(

I.

Anónimo disse...

Vamos...

Seguir em frente...

Amanhã é outro dia...

Não crês em nada disto também??? São dias.

algevo disse...

Não, não creio quase nada nisso.
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Acho que o tempo apaga a mágoa, qualquer que tenha sido ela. Mas, nalguns dias... ela regressa e inunda tudo à volta e torna-se viva e presente e impermeável a qualquer tentativa de a afastar.

E até lá... é esperar que ela diminua.

:/

I.